10 de janeiro de 2013

Quem está por trás de Salim Lamrani?

Hoje vamos fazer um estudo sobre o texto "Quem está por trás de Yoani Sánchez?", assinado por um jornalista francês de nome Salim Lamrani, que foi traduzido e reproduzido em diversos sites da mídia camarada brasileira, entre eles o Brasil de Fato. Mesmo não sendo material novo, achei interessante fazer a análise, pois esse artigo é um bom representante do modus operandi dos esquerdopatas. Segue abaixo o original em cinza, com os comentários em vermelho.

Salim Lamrani
Yoani Sánchez, famosa blogueira de Havana, é uma personagem peculiar no universo da dissidência cubana. Jamais nenhum opositor se beneficiou de uma exposição midiática tão massiva e nem de um reconhecimento internacional de semelhante dimensão em tão pouco tempo. Após emigrar para a Suíça em 2002, decidiu retornar a Cuba dois anos depois, em 2004. Em 2007, adentrou o universo da oposição em Cuba ao criar o blog Generación Y*, tornando-se uma detratora ferrenha do governo de Havana. Jamais nenhum dissidente em Cuba – quiçá no mundo – conseguiu tantas premiações internacionais em tão pouco tempo, com uma característica particular: tais prêmios deram a Yoani Sánchez dinheiro suficiente para viver tranquilamente em Cuba o resto de sua vida. [Até porque, conforme será revelado no próprio texto, Cuba é um país de miseráveis, toda a população é muito pobre, portanto não é preciso muito dinheiro para "viver tranquilamente" lá.] 

No total, a blogueira foi agraciada com a soma de 250 mil euros, o que significa um montante equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como a França, quinta potência mundial. Ou ainda o equivalente a 1.488 anos de salário mínimo cubano por sua atividade de opositora, já que em Cuba o salário mínimo mensal é de 420 pesos, quer dizer, 18 dólares ou 14 euros. [Note que o autor usa apenas uma única unidade monetária, o euro, e um mesmo valor (250 mil euros) é desdobrado em 20 anos da remuneração mínima na França e em 1.488 anos da remuneração mínima em Cuba (essa informação será importante adiante). Sim, amigo, Um trabalhador cubano que não tem ligação com a elite castrista, labuta o mês inteiro para ganhar 18 dólares, o equivalente a 36 reais!!!!]

Wikileaks

Yoani Sánchez mantém estreita relação com a diplomacia estadunidense em Cuba, como indica uma mensagem, classificada como secreta por seu delicado conteúdo, emitido pela Seção de Interesses Norte-Americanos (Sina). Michael Parmly, antigo chefe da Sina em Havana, que se reunia regularmente com Yoani em sua residência diplomática pessoal como indicam documentos confidenciais da Sina, demonstrou preocupação a respeito da publicação dos telegramas diplomáticos estadunidenses pelo Wikileaks: “Ficaria bastante aborrecido se as inúmeras conversas que tive com Yoani fossem publicadas. Ela poderia ter de pagar pelas consequências por toda a sua vida”. Posto isso, a pergunta que vem imediatamente à cabeça é a seguinte: “Por quais razões Yoani estaria em perigo se a sua atuação, como afirma, respeita o marco da legalidade?”. [O autor só pode estar se fazendo de bobo. O motivo é muito simples, em todo regime totalitário não há divisão de poderes, o poder é concentrado nas mãos de um único partido, ou figura pública -- no romance de George Orwell, personificado como o "Grande Irmão". É por isso que pessoas somem sem deixar rastro. Estar dentro da "legalidade" não significa absolutamente nada, uma vez que é o próprio governo totalitário quem não respeita a legalidade.]

Em 2009, a imprensa ocidental propagandeou massivamente a entrevista que o presidente Barack Obama havia concedido a Yoani Sánchez, o que foi considerado um feito excepcional. À época, Yoani também havia afirmado haver mandado um questionário similar ao presidente cubano Raúl Castro e que este não havia se dignado a responder a sua solicitação. No entanto, os documentos confidenciais da Sina, publicados pelo Wikileaks, contradizem essas declarações. [Aqui, Obama, cujas atitudes demonstram um claro alinhamento com o comunismo internacional (a exemplo do acordo unilateral de desarmamento que assinou recententemente, no qual os EUA se comprometem a diminuir seu poderio bélico, sem contrapartida da Rússia ou China – país que a cada acumula um arsenal mais destruidor) é estranhamente colocado como representante do "mundo livre", coisa que Obama de fato não é].

Na realidade, descobriu-se que foi um funcionário da representação diplomática estadunidense em Havana quem se encarregou de redigir as respostas para a dissidente e não o presidente Obama. Mais grave ainda, o Wikileaks revelou que Yoani, diferentemente de suas afirmações, jamais mandou um questionário a Raúl Castro. O chefe da Sina, Jonathan D. Farrar, confirmou essa realidade em uma mensagem ao Departamento de Estado: “Ela não esperava uma resposta dele [Raúl], pois confessou que nunca enviou [as perguntas] ao presidente cubano”. 

A conta no Twitter

Além do blog Generación Y, Yoani Sánchez dispõe também de uma conta no Twitter e reivindica ter mais de 214 mil seguidores (registrados até 12 de fevereiro de 2012)**. Apenas 32 deles residem em Cuba. Por seu lado, a dissidente cubana segue mais de 80 mil pessoas. Em seu perfil, Sánchez se apresenta do seguinte modo: “Blogueira, resido em Havana e conto a minha realidade em textos de 140 caracteres. ‘Twitto’ via SMS sem acesso à rede”. 

Não obstante, a versão de Yoani é dificilmente crível. Com efeito, resulta ser absolutamente impossível seguir mais de 80 mil pessoas só por SMS [mensagens de texto via celular] com uma conexão semanal a partir de um hotel. Um acesso diário à rede é indispensável para tanto. [Aqui o texto faz uma grande confusão, mas que só engana quem não tem trato com a Internet. Uma coisa é a pessoa se inscrever para receber as informações de alguém, outra bem diferente é a pessoa ler todas as informações vindas de todos os contatos em uma rede social. Quem quer que use uma das redes sociais disponíveis atualmente, sabe que a informação circula "por amostragem". Ninguém lê cada uma das mensagens postadas, mas passa os olhos e confere "o que é que estão dizendo por aí". Sobretudo no Twitter, que ao contrário do Facebook, não visa conectar pessoas que se conhecem na vida real, mas sim conectar pessoas com interesses semelhantes, mesmo que não se conheçam. Além disso, no Twitter é um expediente normal o uso de "robôs" que assinam automaticamente um contingente grande de desconhecidos, na esperança de que os "assinados" assinem de volta. Tal procedimento visa aumentar o número de seguidores e é muito usado por políticos, por exemplo. Isso porque o indivíduo não está interessado em usar o perfil em questão para acompanhar aqueles que ele segue, mas sim fazer suas mensagens chegarem ao maior número possível de pessoas. É interessante notar que, mesmo que Yoani dispusesse de "acesso diário à rede" (conforme alega o texto, com o objetivo de dizer que a blogueira está mentindo), mesmo que fosse banda larga, e mesmo que cada um de seus seguidores só postasse uma única mensagem por dia, ainda assim seriam 80 mil mensagens diárias, o que é humanamente impossível de ser lido]

A popularidade na rede social Twitter depende do número de seguidores. Quanto mais numerosos são, maior é a exposição da conta. Do mesmo modo, existe uma forte correlação entre o número de pessoas seguidas e a visibilidade da própria conta. A técnica que consiste em seguir numerosas contas é comumente utilizada para fins comerciais, assim como pela classe política durante as campanhas eleitorais. [Conforme já foi explicado. A questão é: em Cuba, o uso da internet é um luxo reservado somente para a classe mais alta (os membros do partido)(não é a toa que entre os seguidores da blogueira apenas 32 residam em Cuba. O cubano médio somente tem uma vaga noção do que seria Internet. Com certea esses 32 seguidores são agentes do partido que a seguem com o objetivo de monitorá-la), portanto de que outra forma Yoani poderia começar a se tornar popular, começar a chamar a atenção de pessoas de fora de Cuba, senão usando tais "robôs" no Twitter?] 

A página www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da comunidade Twitter. O estudo do caso Yoani Sánchez é revelador em vários aspectos. Uma análise dos dados da conta Twitter da blogueira cubana, realizado através dessa página, revela a partir de 2010 uma impressionante atividade da conta de Yoani. Assim, a partir de junho de 2010, Yoani se inscreveu para seguir mais de 200 contas Twitter diferentes por dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. A menos que se passe horas inteiras do dia e da noite nisso – o que parece altamente improvável – resulta impossível inscrever-se em tantas contas em tão pouco tempo. Parece, então, que as assinaturas tenham sido geradas por meio de um robô. [Outra vez, conforme já foi explicado. Trata-se do fato mais óbvio do mundo. É ululante que Yoani utilizou "robôs" com o objetivo de popularizar seu perfil no Twitter. O autor do texto, no entanto, apresenta essa constatação, como se ela fosse o resultado de uma complicada série de operações de inferências da qual estaria sendo extraído um segredo capaz de desmerecer o trabalho da blogueira] 

Perfis fantasmas

Do mesmo modo, descobre-se que cerca de 50 mil seguidores de Yoani são, na realidade, contas fantasmas ou inativas, que criam a ilusão de que a blogueira cubana goza de uma grande popularidade nas redes sociais. Com efeito, dos 214.063 seguidores da conta @yoanisanchez, 27.012 são “ovos” (perfis sem foto) e cerca de outros 20 mil revestem-se com características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta). [Essa situação é normal para quem usa robôs com o objetivo de angariar seguidores. Como são máquinas virtuais trocando informações entre si, o que acontece é que a maior parte dos "pescados" são perfis abandonados por seus criadores. Esses perfis foram criados com objetivos específicos (uma ex-namorada bisbilhotar a vida do ex-namorado, sem se expor, sem que ele saiba que está sendo seguido por sua ex) e abandonados depois que se perde o interesse. De novo, qualquer um que conheça a "lógica" do Twitter, sabe que é assim que o sistema funciona, mas o texto apresenta a constatação como se fosse uma denúncia gravíssima]

Entre as contas fantasmas que seguem Yoani no Twitter, 3.363 não possuem nenhum seguidor e 2.897 só seguem a conta da blogueira, assim como a uma ou duas contas. Do mesmo modo, algumas contas apresentam características bastante estranhas: apesar de não possuírem nenhum seguidor, e seguirem apenas Yoani, já enviaram mais de 2 mil mensagens. 

Essa operação destinada a criar uma popularidade fictícia via Twitter é impossível de se realizar sem acesso a internet. Necessita também de um apoio tecnológico assim como de um orçamento. Segundo uma investigação realizada pelo diário mexicano La Jornada, sob o título “El ciberacarreo, la nueva estrategia de los políticos en Twitter”, sobre operações que envolviam os presidenciáveis mexicanos, diversas empresas dos Estados Unidos, Ásia e América Latina oferecem esse serviço de popularidade fictícia (o “ciberacarreo”, algo como um arrastão digital promovido artificialmente) por preços elevados. “Por um exército de 25 mil seguidores inventados no Twitter – afirma o jornal, cobra-se até 2 mil dólares e por 500 perfis manejados por 50 pessoas gasta-se entre 12 mil e 15 mil dólares”. [Sim, existem esses serviços muito utilizados por políticos que incluem 25 mil seguidores de uma vez só, contato que se pague. Contudo, o próprio texto conta que o perfil de Yoani "partir de junho de 2010, Yoani se inscreveu para seguir mais de 200 contas Twitter diferentes por dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas" e não 25 mil seguidores de uma vez só. Assim, fica claro que ela usou um dos milhares de serviços gratuitos facilmente encontráveis no Google, como é o caso deste aqui].

25 mil euros por mês [Agora vem a melhor parte]

Yoani Sánchez envia, em média, 9,3 mensagens [de texto via celular] por dia. Em 2011, a blogueira enviou cerca de 400 mensagens ao mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de um Peso Conversível (CUC), o que representa um total de 400 CUC mensais. O salário mínimo em Cuba é de 420 Pesos Cubanos, o que representa algo em torno de 16 CUC. [Perceba que o autor fez a maior confusão ao usar duas unidades monetárias diferentes, o "Peso" e o "Peso Conversível". Ele poderia ter usado qualquer uma das duas unidades, mas apenas uma delas para simplificar o que pretende mostrar, mas parece que o objetivo é confundir mesmo] Todo mês, Yoani gasta o equivalente a dois anos de salário mínimo em Cuba. Assim, a blogueira gasta em Cuba [com o Twitter] uma soma que corresponde, caso ela fosse francesa, a 25 mil euros mensais, ou seja, 300 mil euros por ano. [Para acabar de complicar, o autor insere uma terceira unidade monetária, o "salário mínimo", que obviamente tem um valor em Cuba e outro bem maior na França. Então, na verdade há QUATRO referências monetárias em um único parágrafo. IMPORTANTE: no primeiro momento em que foi tratado de valores, ele transformou a soma recebida pela blogueira (250 mil euros) em números de anos com remuneração do salário mínimo cubano. Nesse segundo momento, ele parte na direção oposta e PULA da referência "dois anos de salário mínimo cubano" para chegar ao montante "dois anos de salário mínimo francês", expediente que não faz o menor sentido, visto que é apenas um malabarismo semântico para transformar 336 euros (valor efetivamente gasto mensalmente pela blogueira) em 25 mil euros (valor ao qual o autor chega, fazendo pirotecnia matemática), que por sua vez se transformam na astronômica cifra de 300 mil euros, para expressar o "gasto anual". Por que isso? Simplesmente porque o texto quer fazer entender que se o valor gasto pela blogueira é exorbitante, logo ela só pode estar recebendo auxílio externo de grupos "muito ricos". Então ele segue perguntado:] Qual a procedência dos recursos necessários para essas atividades? 

Inevitavelmente, outras perguntas surgem: “Como Yoani Sánchez pode seguir a mais de 80 mil contas sem um acesso permanente à internet? [Não há nada demais em "seguir" 1 milhão de contas. O que é impossível é ler todas as mensagens, então a blogueira faz o que todos que lançam mão desse expediente fazem: assinam, mas não leem as mensagens. Um exemplo é Barack Obama, que se utilizou desses "robôs" e sua conta no Twitter segue quase 700 mil pessoas. É óbvio que o presidente dos Estados Unidos tem mais o que fazer além de ler 700 mil mensagens por dia] Como conseguiu se inscrever para seguir cerca de 200 contas diferentes por dia, em média, desde junho de 2010, com picos que superam 700 contas? [Usando robôs, conforme o próprio autor já explicou] Quantas pessoas seguem realmente as atividades da opositora cubana na rede social? [Essa é uma pergunta impossível de se responder no mundo do Twitter, principalmente se a pessoa em questão for uma celebridade. O mecanismo do Twitter envia a mensagem, mas nada garante que os que assinaram para receber aquela informação de fato a lerá. Voltando ao exemplo de Obama, seu perfil é seguido por mais de 25 milhões de internautas, mas quantos destes realmente acompanham as atividades dele na rede?] Quem financia a criação das contas fictícias? [Ninguém financia a criação de contas fictícias até porque criar uma conta no Twitter não tem custo, portanto não há o que ser financiado. O que o texto está chamando de "contas fictícias" são na verdade contas abandonadas pelos usuários. Trata-se de um fenômeno comum na internet. Muitas contas de e-mail foram criadas e depois, por algum motivo, abandonadas. Não é diferente no Twitter, mas o sistema de robôs não faz distinção entre contas ativas e contas inativas]. Com que objetivo? Quais são os interesses que se escondem por detrás da figura de Yoani Sánchez? [Não há nada por trás de nada. É tudo pela frente mesmo. Yoani é opositora da ditadura castrista e recebe apoio de grupos com interesses afins. Esses grupos são formados por diversos seguimentos, desde cubanos que fugiram do regime e hoje moram em Miami (consequentemente ganham em dólar) até institutos criados com a finalidade de disseminar as ideias do liberalismo econômico. Convenhamos que não é muito dispendioso nem mesmo para 1 único dos milhares de refugiados cubanos que moram nos EUA e ganham em dólar, separar 336 euros mensais (e não 25 mil euros, como o autor quer fazer acreditar) para apoiar uma compatriota que luta contra o regime que os obrigou a sair do seu próprio país. Seguindo a própria lógica do texto: são 1,9 milhão de cubanos na América, logo formar 336 euros dá muito menos do que 1 centavo de dólar mensal para cada um deles].

* Estranhamente traduzido em tempo real em 20 línguas; entre elas, polonês, lituano, grego, búlgaro, coreano, persa e romeno. [Ainda na linha da "teoria da conspiração", o autor vê no fato do blog ser traduzido para 20 línguas um acontecimento estranho e sobrenatural]

Conclusão: Se tem uma lição de Lenin que a esquerda aprendeu definitivamente foi a máxima "xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz". Desde que a internet se popularizou, se transformou em campo de guerrilha ideológica, muitas vezes com uso de recursos pouco honestos. No caso das acusações feitas pelo texto analisado, fica claro que são perfis abandonados agregados pelos robôs. Contudo, o expediente de criar perfis falsos para detratar, denegrir, ou dar uma ilusão de popularidade a uma figura pública é ferramenta amplamente utilizada PELA ESQUERDA. Recentemente alguém criou em outra rede social, o Facebook, o "Troféu Algema de Ouro" para eleger o político brasileiro mais bandido de 2012. Luis Inácio da Silva estava liderando a votação quando setores do PT perceberam o que estavam acontecendo. Foi então que outro político, Demóstenes Torres, passou a receber votos de perfis sem amigos, com nomes estranhos, as vezes até mesmo nomes repetidos (muitos localizados em países do estrangeiro, com nomes em outras línguas, até mesmo línguas e países asiáticos; além de muitos americanos, como se o americano médio se interessasse pela política brasileira...) para tentar evitar que O Chefe "ganhasse" o concurso. Clique aqui para ler mais sobre o caso; e clique aqui para constatar por si mesmo que a maioria dos perfis que votaram em Demóstenes é visivelmente irregular.

24 de dezembro de 2012

Escreve como pensa: Análise 002 - Vladimir Safatle (COMPLETO)


Essa é a segunda edição da série "Escreve como pensa". (Se você não sabe do que se trata, confira o texto de apresentação na primeira edição). Hoje estudaremos o estilo de Vladimir Safatle, um dos mais "nobres" integrantes da elite esquerdista que diariamente nos presta o desserviço de encher os jornais com lugares comuns, bobagens, mentiras, erros gramaticais e variações das combinações dos elementos anteriores. O "filósofo" conta com um amplo séquito de idiotas úteis que o reverenciam e babam diante de suas colocações (na verdade eles babam também quando não estão diante do pensamento safatleano). O "título-credencial" que Safatle ostenta é "Professor da Faculdade de Filosofia da USP". Uma característica única desse "pensador" é que seu pré-nome é Vladimir e ele adotou a prática de aparar os pelos faciais com o objetivo de produzir semelhança com o visual com o qual outro Vladimir, o Lenin, era representando pelo partido comunista russo. Dado esse traço de personalidade, fica fácil imaginar o que segue...

OBS.: Na análise de hoje, além das observações sobre estilo (marcadas em vermelho), acrescentei observações sobre inverdades históricas (marcadas em verde) que Safatle perpetra por uma imposição ideológica.

Vladimir "Lenin" Safatle
Oscar Niemeyer
[Artigo de autoria de
Vladimir Safatle,
originalmente publicado
em 10.12.12,
no site da
revista Carta Capital]

Aos 104 anos, faleceu Oscar Niemeyer. [Não tem erro na passagem, mas há alguns anos o centenário de nascimento do arquiteto foi amplamente coberto pela mídia, os quatro aniversários posteriores também foram noticiados. De sorte que qualquer pessoa minimamente informada sabia a idade de Oscar Niemeyer. Seria de se esperar que alguém que apresenta a credencial de "Professor da Faculdade de Filosofia da USP", começasse o texto de qualquer forma menos óbvia, menos lugar comum. Imagina se Franz Kafka abrisse "A Metamorfose" com a idade de Gregor Samsa...] Nenhum artista brasileiro foi reconhecido, de maneira praticamente unânime por seus pares em todo o mundo, como referência absoluta e incontornável. Nenhum, a não ser Niemeyer. [Duas frases para expressar uma ideia tão simples! Bastava acrescer a palavra "outro" depois do "nenhum" da primeira frase e a segunda poderia ser suprimida. Até porque a segunda frase repete a palavra "nenhum" (que já foi usada na frase imediatamente anterior) e o nome Niemeyer (que aparece duas vezes em um parágrafo tão pobre de conteúdo). Escrever é a arte de cortar palavras. Mas a escrita de Safatle é a arte de multiplicar o número de palavras, frases e parágrafos sem dizer nada] Isso não é acaso nem algo desprovido de relevância. [Quem lida com as letras aos poucos percebe que algumas palavras devem ser evitadas, sobretudo as imprecisas, tais como "coisa" e "algo". Esses léxicos sempre podem ser substituídos por outros mais diretos, que enriquecem o texto. Por exemplo, a frase "Posso lhe dizer algo?" ou "Posso dizer uma coisa" pode ser melhor dita como "Posso fazer uma sugestão/confissão/delação?" O substantivo que complementa o "fazer" já revela o caráter do que vai ser dito, o que torna o enunciado mais rico de informação. A dupla negação também deve ser evitada. "Não é irrelevante" = "é relevante". Mas no enunciado de Safatle, tais ocorrências são visivelmente fruto da falta do que dizer, então não tem como reescrever. Perceba como a frase é vaga, não possui um significado preciso. O autor não se dá ao trabalho de expor o motivo pelo qual "nenhum outro artista brasileiro foi tão reconhecido quanto Niemeyer". E assim o parágrafo termina sem ser concluído, sem completar o raciocínio (que raciocínio?)]

Não se trata de uma questão de sucesso, mas de consciência da força de sua linguagem e da originalidade de suas escolhas. [Ele continua desenvolvendo o tópico da "reconhecimento" (tópico frasal do primeiro parágrafo), portanto a quebra de parágrafo não se justifica nesse ponto][Como assim "consciência"? Não faz sentido. Entendo que ele quis dizer "reconhecimento". A palavra "reconhecimento" significa tanto "tomar conhecimento" como "atribuir valor". Ele não quis repetir a palavra, porque já tinha sido usada, mas ele é obrigado a usar as mesmas palavras simplesmente porque não está desenvolvendo o raciocínio, está indo e voltando sem sair do lugar. Então, a "estratégia" para a não repetição do termo gerou o uso de uma palavra que equivale a um dos sentidos possíveis de "reconhecimento", mas o sentido que NÃO cabe no contexto.][Do ponto de vista do significado, o que é o sucesso, senão ser reconhecido (valorizado) pelo trabalho que se realiza????] Com Niemeyer [seria impossível escrever um artigo sobre alguém sem repetir o nome da pessoa, mas foi dito tão pouco até agora e o nome do arquiteto já foi repetido 3 vezes!], o modernismo alcançou uma audácia formal, que dificilmente encontrará em arquitetos como Le Corbusier, Walter Gropius, Frank Lloyd Wright ou Mies van der Rohe. [A forma como o nome dos outros arquitetos aparece no texto não expressa nada além de uma necessidade de dar um verniz para parecer que o autor é "antenado" e "entende de arquitetura". Se a audácia de Niemeyer dificilmente "encontrará em A, B e C", então será facilmente encontrada em quem? (é a pergunta que salta à razão)][Do ponto de vista da forma, está faltando uma palavra, o complemento de "encontrará" (verbo transitivo). Ou ele escreve "que dificilmente será encontrada em arquitetos como" ou complementa "que dificilmente encontrará par/concorrência/semelhança em arquitetos como". Escrever é a arte de cortar palavras, mas não as palavras que a SINTAXE da língua IMPÕE a presença, Safatle] Ele foi aonde todos esses nomes maiores, que moldaram a nossa sensibilidade [moldaram a nossa sensibilidade???? Chavão, lugar comum, expressão vaga, sem sentido preciso], não conseguiram chegar. Sua vida longa e produtividade constante lhe permitiram ser [Reafirmo a questão das palavras desaconselháveis. Os pronomes possessivos estão entre elas, até porque em português há uma confusão entre "sua" ("de você") e "sua" ("de ele"), então observe como ficaria MUITO mais elegante se estivesse escrito: "A vida longa e a produtividade constante lhe permitiram ser"] aquele que levou o modernismo ao extremo, mostrando como poderia ser o portador de uma experiência renovada de liberdade da ideia. [What the fuck!!!! Que raios seria uma "experiência renovada de liberdade da ideia"???] Experiência ["experiência" de novo??? Acabou de dizer isso...] de reconciliação entre a clareza formal de quem seguiu à risca o ensinamento de Adolf Loos (Ornamento e Crime) [Mais uma vez uma ocorrência cuja única função é criar uma aura em torno do autor. Ele introduz uma ideia, mas não a explica, não a desenvolve. O nome de um texto do arquiteto austro-húngaro parece entre parenteses, mas o autor não constrói co-relações entre os dados novos e os que ele já havia apresentado] e a organicidade de quem procura aproximar a arquitetura da imitação da sinuosidade dos gestos humanos.

Por unir clareza e organicidade ["organicidade" (seja lá o que Safatle entenda por isso) acabou de aparecer na frase imediatamente anterior. Por que ele fica dando voltas sem sair do lugar?], suas obras conseguem o feito de ser monumentais e humanas. Mas “humanas” não no sentido daquilo que perpetua as ilusões burguesas [claro, porque se não aparecesse a palavra "burguesa" o texto não poderia ser considerado um "Safatle autentico", então é melhor metê-la no meio das outras palavras mesmo que não faça sentido algum, do que correr o risco de ter colocada a autoria do artigo em xeque] do acolhimento da intimidade da home [alguém me explica a opção por usar a palavra "casa" em inglês??? Alguém me explica o sentido dessa frase???]. Acolhimento que parece nos alienar definitivamente na crença de que nosso lugar natural é o espaço privado cheio de memorabilias [Nossa! Que coisa tosca! Guimarães Rosa e James Joyce se reviraram nos túmulos!]. “Humanas” no sentido deste desejo humano, demasiadamente humano [citação forçada de Nietzsche, necessidade de verniz intelectual] de retornar aos gestos primordiais e encontrar, neles, uma força construtiva inaudita [Desa vez, abster-me-ei dos comentários. Não me sinto à altura].

Na verdade, se uma ideia pudesse sintetizar a obra de Niemeyer, talvez fosse a ausência de medo. Nossas cidades parecem ter medo do vazio, dos espaços infinitamente abertos, da visão desimpedida, das formas improváveis que têm a força de dobrar o concreto armado, ou seja, da inventividade que parece se comprazer em negar toda a forma que se põe como necessária. [Alguém me explica do que esse cara está falando?] Niemeyer não tinha medo de nada. Quantas vezes ele deve ter exasperado engenheiros que viam suas formas e pensavam: “Mas isso não pode ficar suspenso dessa forma. [A segunda ocorrência da palavra "forma" poderia ser substituída por "jeito" ou "maneira", para evitar repetir a mesma palavra 02 vezes na mesma frase. Até porque no parágrafo o termo apareceu um total 04 vezes e no texto completo 06 vezes, além das 02 ocorrências de "formal", "relativo à forma"] Mas não é possível deixar isso em pé” [Até porque quem fazia os cálculos estruturais para que a joça efetivamente ficasse em pé eram os próprios engenheiros, então não havia mesmo porque o "desenhista" sentir medo. Toda a afirmação é um grande despautério, que brota do chavão "não tinha medo de nada"]. E pur si muove!, como dizia Galileu. [Um prédio se move??? Para aonde? Precisa dizer que a ocorrência não faz o menor sentido e visa apenas emprestar verniz de intelectualidade ao autor? Por economia, daqui para frente, nesses casos, marcarei somente NVI (necessidade de verniz de intelectualidade)]

Como se não bastasse a inventividade de sua obra e a coragem de suas escolhas, quis o destino que Niemeyer fosse a expressão artística mais bem-acabada do desejo brasileiro de modernidade. [Juscelino Kubitschek mudou de nome e agora se chama Sr. Destino] Ele ["ele", o destino????] soube dar forma ao desejo de seu país de olhar para dentro de si e romper com o que parecia aprisioná-lo em definitivo no século XIX. [o que aprisiona em definitivo o Brasil no passado não é a forma dos prédios, que na verdade não exercem influencia na sociedade (devem apenas cumprir as funções para as quais foram criadas, o que as obras de Niemeyer não fazem), mas a demagogia e o populismo da política republicana, bem como a ameaça do coletivismo totalitário que há mais 50 anos paira sobre o país]

Nesse sentido, há de se pensar em certas correlações próprias ao mundo da arquitetura [não seria "próprias DO mundo da arquitetura"???]. Como a mais pública das artes, aquela que mais claramente tem a capacidade de reorganizar a experiência do espaço, a arquitetura parece destinada a nos ensinar como o poder constrói. Não é um acaso, por exemplo, que todos os regimes totalitários tenham sempre se associado, em algum nível, ao neo-classicismo. [Sei... A exemplo de todos os edifícios neo-clássicos que pululam em Havana, Moscow, Pequim, Pyongyang etc] O mesmo neoclassicismo que coloniza nossas cidades brasileiras atuais com seus empreendimentos imobiliários saídos da cabeça de um Albert Speer [NVI][Excelente oportunidade para Safatle acrescentar um pouco de conteúdo ao texto. Ele poderia comentar brevemente aqui a obra do arquiteto do reich e tecer uma relação (seja de paralelo ou de oposição) com a obra de Niemeyer, mas parece que Safatle, apesar de já ter ouvido falar o nome de Albert Speer, não se sente confortável para redigir sequer uma linha sobre o mesmo], tropical, travestido de construtor de sonhos de opulência da elite local ["burguesia" é a assinatura e "elite" a rubrica de Safatle].

Também não é um acaso que tenha sido [como passou dois parágrafos sem falar diretamente de Niemeryer, aqui caberia a presença do nome dele, ou alguma referência do tipo "o arquiteto", "o artista", "o poeta das curvas" (só para combinar com o estilo geral do texto)] contra o ­neoclassicismo e os vínculos arquitetônicos coloniais que o desejo de modernidade dos brasileiros se afirmou. [Sim, porque  como todos sabemos  Brasília foi construída para atender a uma petição em formato de abaixo-assinado feita pelo povo brasileiro, que desejava ardentemente e com todas as forças que a capital  e conseqüentemente as decisões políticas sobre as próprias vidas  fosse transferida para lá-onde-o-vento-faz-a-curva] Nesse sentido, Brasília, a cidade que Niemeyer construiu, [Qual retardado não sabe que Brasília é uma cidade construída por Niemeyer??? Engraçado que toda vez que não precisa de explicação, ele usa um aposto para explicar, mas quando precisa ele explica] juntamente Lucio Costa, injustamente incompreendida por setores da sociedade brasileira [um desses setores que "incompreendeu" Brasília foi o povo, que sentiu na pele o custo de construção da capital, na forma de inflação], foi a expressão de que não há desenvolvimento possível sem o desejo de reinvenção de nossas formas de vida e de reorganização a partir do caráter igualitário da ideia. Durante certo tempo, tal igualitarismo conseguiu se sustentar. Até que foi definitivamente vencido pela especulação imobiliária e pelo desinteresse do poder público em sustentar tal realidade. [Sim! Um exemplo de igualitarismo! Os operários que construíram Brasília morando nas cidades satélites, deixando a "cidade de brinquedo" livre para a elite estatal contemplar a amplidão das praças de concreto. Todo mundo igual, cada qual com seu cada qual] 

Por isso, gostaria de terminar este texto com uma consideração de ordem pessoal. Vivi em Brasília durante toda a minha infância e, por essa razão, sempre quis um dia agradecer a Oscar Niemeyer pela infância [custava substituir o primeiro "infância" pelos anos que passou lá ("vivi em Brasília entre os 03 e os 12 anos)? Ou qualquer outro sinônimo: "meninez", "garotice", "época de criança", "tempo de pequeno" (para combinar com o "estilo" do resto do texto), etc?] que ele, involuntariamente, me deu. Uma infância [de novo??? 3 vezes seguidas não é um pouco demais?] sem medo, sem grades, sem muros. [com todos os pobres, sujos e bandidos devidamente alocados nas cidades satélites, fica fácil!] Infância [o que???? 4 vezes a mesma palavram em apenas 3 orações conseguintes???] de quem cresce diante da imensidão de espaços vazios, capaz de acolher, sem violência, o vazio silencioso da natureza do cerrado. [Que horror! Parece poesia de Manoel de Barros! Na verdade é pior, por causa da repetição de palavras e idéias "vazio que acolhe vazio". Bom... pelo menos ele já desencanou de "infância"] Um espaço de olhares desimpedidos, onde os elevadores davam diretamente para as ruas. Um tempo onde ["tempo onde"???? Não seria "tempo QUANDO"??? Que eu saiba "onde" é adverbio de lugar!!!!! Será que mudaram também a classe dos advérbios na reforma ortográfica e eu não fiquei sabendo???] aprendi a beleza da igualdade e o prazer de ver todo espaço como um espaço comum. Ironia suprema: em pleno centro de decisão da ditadura, parecia possível ter uma infância comunista (ao menos no sentido de Niemeyer). Nada estranho para alguém capaz de construir um monumento que estiliza a foice e o martelo (o Memorial JK) nos bigodes dos generais da ditadura. Por tudo isso, gostaria apenas de dizer: “Obrigado, Niemeyer. Suas ideias ajudaram a moldar nossas vidas”. [Entra a música "My Heart Will Go On", com Celine Dion cantando e, em seguida, os créditos aparecem na tela. É o momento exato para deixar derramar uma lágrima. Não perca a oportunidade!]

Conclusão: Bem como seu "kompanheiro" Emir Sader, Vladimir Safatle tem um talento raro para encher páginas com letras sem que elas digam absolutamente nada. Se alguém abrir um pacote de massa de sopa em formato de letras e simplesmente jogar o conteúdo sobre uma mesa é possível que crie um texto mais criativo, invetivo e com mais informação do que os produzidos pela mente de Safatle. Os artifícios usados pelo autor são os mesmos de seu "co-irmão kamarada": justaposição de informações amplamente conhecidas pelo público com lugares comuns, chavões e clichês. O "diferencial" desse texto pode ser as tentativas de construções poéticas, mas talvez seja apenas um efeito colateral do fato de se tratar de um artigo em ocasião do falecimento do "o poeta das curvas"



18 de dezembro de 2012

Escreve como pensa: Análise 001 - Emir Sader

"Escreve como pensa" é uma série com o objetivo de analisar a expressão e o raciocínio de figurões da intelectualidade brasileira. Serão dissecados textos de filósofos, jornalistas, e formadores de opinião em geral, sempre dos pontos de vista da "gramática", "coesão e coerência" e "estilo". A ideia foi inspirada pela professora Norma Braga, que certa feita idealizou o mesmo projeto, sob o nome de "Diga-me como escreves", mas infelizmente não deu continuidade. Inauguro a série com ninguém menos que Emir Sader, professor da UERJ e articulista na grande mídia.
Emir Sader fazendo "cara de coerência".

Força e fraqueza
do partido da mídia, 

[Artigo de autoria de Emir Sader, postado originalmente
em 16/12/2012, no site Carta Maior]

Muito tempo depois que a mídia alternativa já havia caracterizado a velha mídia como o partido da direita [custava muito não começar o texto já repetindo a palavra "mídia"? Essa repetição gerou uma cacofonia que quebra completamente o ritmo de leitura. Que tal substituir "mídia alternativa" por "meios de comunicação alternativos"??? O dotô Emir Sader não sabe, mas a palavra "mídia" origina-se da pronúncia saxã para a palavra latina "media" ("média") que apenas e tão somente é o plural da palavra "medium" ("médium"), com o significado de "meio", "canal de intermediação", "aquilo que leva de um para outro".] e a executiva da Folha confessasse que eles assumiam esse papel pela fraqueza dos partidos da oposição, o campo politico foi ficando cada vez mais configurado esse papel de partido político. Qualquer conjuntura política só pode ser compreendida levando em conta esse papel. [Alguém poderia me explicar por que o primeiro verbo está no Particípio Passado e o segundo no Imperfeito do Subjuntivo???][Alguém consegue me explicar o que a frase "o campo politico foi ficando cada vez mais configurado esse papel de partido político" quer dizer???]

Que vantagens e que desvantagens tem um partido-mídia? [Qual a relação dessa pergunta com o que foi dito no parágrafo anterior?? Aliás, o que foi mesmo dito no parágrafo anterior???] Valendo-se da brutal concentração monopolista da mídia brasileira, que articula jornais, revistas, rádios, TV abertas e a cabo, além de páginas de internet, possui um poder de definir as agendas centrais do país e suas interpretações. [Quem realiza a ação de "possuir"???][Esse "poder de definir as agendas centrais" (seja lá o que isso queira dizer) é uma vantagem ou uma desvantagem? Por que o parágrafo começa prometendo elucidar qualquer coisas sobre "vantagens e desvantagens", mas termina sem fazê-lo???]

No período político atual, a questão central para o partido-mídia é a desqualificação do Estado, de sua capacidade reguladora, indutora do crescimento e dos seus correlatos – partidos, política, parlamentos, com a apologia – implícita ou explícita – do mercado, como alocador de recursos. [É sério que o autor destacou um aposto com travessão dentro de um aposto destacado com travessão???][O que esse parágrafo tem a ver com o que foi dito até agora??? Aliás, o que mesmo foi dito até agora???]

Essa foi a tese central do neoliberalismo, na qual se apoiou a direita para reatualizar-se, modernizar-se, conquistar espaços e forças políticas e ideológicas nas décadas passadas. Foi essa tese que promoveu a ascensão das lideranças de Reagan, Thatcher, Felipe Gonzalez, Mitterrand, Menem, FHC, entre outros, derrotando a esquerda no debate, no momento do fim da URSS e da passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar. [O que o "fim da União Soviética" tem a ver com o que foi dito? Por que a União Soviética chegou ao fim? Qual a relação desse "fim" com os nomes listados? Se o autor quis estabelecer alguma relação, ficou só na vontade. Se não há relação, mas esses eventos apenas se sobrepõe temporalmente, por que foram elencados nesse parágrafo, com que objetivo???]

A desqualificação da economia planificada e centralizada, do socialismo, das organizações populares, da ideia de que as soluções para os problemas das sociedades não vem de alternativas coletivas, mas da concorrência individual, de uns contra outros, no mercado – foram corolários dessa visão de mundo, centrada no consumir e não no cidadão, na mercantilização e não nos direitos. [Eu sei que os estudantes com menor performance no campo da linguagem e expressão, quando estão se alfabetizando, cometem o erro crasso de separar sujeito e predicado com vírgula, mas eu JAMAIS tinha visto alguém cometer o erro de separar sujeito e predicado com travessão!!!!][Ademais, perceba o autor anuncia que houve uma "desqualificação" 01) "da economia planificada" 02) "do socialismo" 03) "das organizações populares" e 04) "da ideia de que as soluções para os problemas da das sociedades não vem de alternativas coletivas"; mas o que é a "ideia de que as soluções para os problemas da das sociedades não vem de alternativas coletivas", senão a desqualificação "da economia planificada" e "do socialismo"???? Parágrafo COMPLETAMENTE confuso.][A propósito, se "vem" se refere a "ideias", então precisa estar no plural: "vêm". A falta de coordenação dos plurais de uma oração é reflexo direto da falta de concatenação das ideias de quem formula a frase. O emissor não tem domínio do que está dizendo, mas tão somente reproduz um grupo de conceitos que ele escuta com frequência][Perceba ainda que ele escreveu que "A desqualificação (de A, B e C) foram". Emir Sader consegue a façanha de cometer erros dentro de outros erros. É como se fosse aquela boneca tradicional russa, Matrioshka, que dentro de cada uma há sempre outra e parece que não vai ter fim. É um fractal de erros!]

A opção do tema da corrupção [Não seria "a opção pelo tema da corrupção"???] vai exatamente nessa direção: denunciar, ao mesmo tempo, o Estado, os governos, os políticos, os partidos, a esquerda, as lideranças populares, a prioridade das políticas sociais. E, automaticamente, anistiar ou exaltar o mercado, as empresas, os empresários, os consumidores.

A vantagem do partido-mídia [Depois de 5 parágrafos ele retoma a questão das "vantagens"...] é poder falar todo o tempo, todos os dias, várias vezes ao dia, por escrito, oralmente e pelas imagens. [Ah! Então essa "vantagem" se refere às "vantagens competitivas em relação aos opositores"!! Por que não disse antes? Eu tinha entendido que eram "vantagens e desvantagens" para o país.]. Ocupa todos os espaços que pode.[Quem realiza a ação de "ocupar"? Quem ocupa todos os espaços que pode? A "vantagem" ocupa?] Os jornais tem tiragens cada vez menores, mas dão a pauta para os outros órgãos – rádios, tvs, multiplicando sua audiência. [Qual a relação dessa ideia com a ideia anterior??? Como uma ideia se concatena com a outra?? Que sentido pretende-se formar nesse parágrafo???][De que forma o fato de os jornais impressos "darem pauta" a rádio e a TV multiplica a audiência dos meios eletrônicos, uma vez que o grande público dá cada vez menos importâncias para os impressos? "Raciocínio" completamente sem sentido.]

Porem, os efeitos imediatos são ilusórios. [O que diferencia os efeitos imediatos dos não imediatos?? Os efeitos à longo prazo são "reais"??] Se conseguem acionar o imaginário de uma certa camada da população, esta é cada vez menor, de idade cada vez maior, de extração cada vez menos popular. [Qual o significado de "extração cada vez menos popular"????] Tanto assim que conseguem pífios resultados eleitorais. Conseguem queimar as imagens dos políticos em geral – não sendo poupados nem os que o partido-mídia apoia - [Mas se a mídia não poupa nem mesmo os que o "partido-mídia" apoia, o que exatamente caracteriza a mídia como um partido, se ela desqualifica integrantes de todos os partidos do espectro político??? Por um acaso seria função da mídia enaltecer políticos e partidos????], mas não conseguem traduzir isso em votos.

Políticos petistas, por exemplo, podem ser afetados, mas o Lula e a Dilma [artigo definido antes de nomes próprios????] – que personificam governos que deram certo, que aparecem para a população como os responsáveis pelas transformações positivas que o Brasil vive, não são tocados por essas campanhas – como as pesquisas da semana passada revelaram. [O autor escreveu o parágrafo e depois jogou algumas travessões e algumas vírgulas entre as palavras, como quem joga milho para os pombos]

Conclusão: o autor não escreveu um texto exatamente, no sentido de que as colocações não partem de conhecimentos dados para revelar novos conhecimentos, raciocínios ou inferências. Ele tão somente justapõe orações sem a preocupação de que tal justaposição gere sentido. A maioria das colocações se constitui de jargões e clichês (tais como "concentração monopolista", "mundo unipolar" etc), os quais recebem a credibilidade por serem incessantemente repetidos (pelo próprio Emir Sader e pelos pares dele -- todos com amplo aceso ao tal "partido-mídia"), mas não se sustentam à luz da razão, e tão somente servem para fazer desencadear emoções no receptor, de sorte que cada pessoa que lê produz um significado para si. O "texto" em si não significa basicamente nada, mas o encadeamento de clichês previamente respaldados pela repetição serve de estopim para que cada leitor realize uma remontagem das combinações possíveis das emoções previamente disponíveis no "mercado de frases prontas". Há ainda a clara incompetência do autor tanto para a pontuação quanto para seguir a estrutura sintática da língua portuguesa que, mais do que causar a falta de clareza no texto, é reflexo da própria falta de clareza mental de quem escreve. Se fosse um menino de 12 anos, seria recomendado a realização de "reforço escolar" e mais leitura, mas -- em se tratando de um professor da UERJ -- é caso sem remédio: pior para os alunos, pior para o Brasil, cuja opinião é formada por um inepto. Aliás, o desserviço que Sader presta ao reproduzir sua inépcia na mente do povo brasileiro é, para dizer o mínimo, criminoso.


20 de outubro de 2012

10% do PIB para a educação, uma péssima notícia

Aumentar os gastos com educação de 5,1% para 10% do PIB esperando que isso se reverta em uma melhora no sistema de ensino, faz tanto sentido quanto dizer ao dono do posto “Olha, eu vou passar a te pagar o dobro do que você está cobrando pelo litro de gasolina e, em contra partida, no futuro você vai me vender uma gasolina que faça meu carro andar mais com a mesma quantidade de litros".

A principal notícia dessa semana foi a de que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados aprovou a elevação dos gastos com educação dos atuais 5,1% do PIB para 10% do PIB. A informação é apresentada pela mídia como uma "conquista popular", conforme você pode conferir no texto abaixo:
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados deu um passo importante, nesta terça-feira (16), para criar as condições materiais para superar as deficiências representadas por um dos principais problemas brasileiros, a educação. A CCJ aprovou o projeto criando o Plano Nacional de Educação (PNE), que determina a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área de Educação.
[...]
Lutar pelos 10% do PIB para a educação é a tarefa desta geração, disse Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), que comemorou a decisão. Renato Rabelo, presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, destacou o papel da juventude nessa luta fundamental, e relatou a simpatia manifestada pela presidenta Dilma Rousseff na busca de uma educação de qualidade e seu entusiasmo pelo empenho da juventude nesta luta de profunda consequência para o avanço do país.
Texto reproduzido do site "Correio do Brasil", cofira o original clicando abaixo
 


Mas, quanto de verdade existe nessa história? Nenhuma verdade!!!! É tudo enganação construída peça por peça para ludibirar a população, que não tem acesso a informação e -- dessa forma -- não pode ter discernimento em relação ao que lhe é apresentado. E para perceber esse FATO, basta passar os olhos na tabela abaixo:


Perceba que países de primeiro mundo como Reino Unido, Suíça, Estados Unidos e Alemanha, que possuem excelentes sistemas de ensino, gastam MENOS com educação do que o Brasil. O caso mais explícito é o da Coréia do Sul (marcado em azul na tabela) que gasta menos com educação, mas ostenta a posição de segundo melhor sistema de educação do mundo (Ranking do PISA), enquanto o Brasil, que gasta mais, tem o pior sistema de ensino entre os 30 países do mundo que mais gastam com educação, mantendo a posição 53 no ranking mundial... Pronto, os números não mentem.

Qualquer gestor do setor privado sabe que primeiro é necessário potencializar ao máximo o aproveitamento dos recursos que já se dispõe para só então ser capaz de pleitear dos superiores ou dos financiadores recursos adicionais. Os números acima mostram que o Brasil está MUITO LONGE de estar aproveitando bem os recursos para a educação. Além disso, qualquer dona de casa sabe que um produto mais caro não significa necessariamente um produto melhor.

De onde nasceu essa sanha para dobrar o gasto com educação??? O governo deveria estar preocupado e empenhado em melhorar a educação oferecida ao povo brasileiro, mas isso daria muito trabalho e poderia levar anos. É muito mais fácil tramitar um projeto desse tipo no congresso (cujo julgamento do mensalão provou que já foi COMPRADO pelo governo diversas vezes), assim passa a impressão que o governo está trabalhando pelo "bem do povo" e, de quebra, aumenta as verbas e as possibilidade de desvio das mesmas.

O terreno foi preparado pela repetição massiva do slogan "o Brasil precisa investir mais em educação". O governo lançou a ideia, os meios de comunicação a espalharam e a população a repete em transe hipnótico zumbi. Agora, a torneira está aberta e a única alteração é que ficará mais fácil desviar verbas, uma vez que estas serão maiores.

Perceba na base do cartaz todas as entidades de "movimentos sociais" que são usadas pelo governo como interface para convencer a população de que se trata de uma demanda da sociedade. 

Uma força para o "marxismo cultural"

Há ainda outro problema adicional: o sistema de educação brasileiro está empestado de professores marxistas que disseminam ideias completamente fora da realidade para crianças que não possuem nem conhecimento, nem cultura, nem informação para julgar o conteúdo que estão recebendo. Confiram abaixo o trabalho de um doutrinador marxista capturado por um aluno com um celular.

Aos 1:10 o professor pergunta: "Vocês sabem qual foi o primeiro cara que pregou uma sociedade comunista?" E ele Mesmo responde "Jesus Cristo". Em 1:50 ele diz "Ser comunista não é querer comer criança, até porque isso é coisa do Papa", em uma total FALTA DE RESPEITO pelos próprios alunos.

Assim, está claro que o que está por trás de todo esse frisson é, na verdade, o aumento do poder de doutrinar os alunos nos moldes marxistas com o objetivo de implantar o comunismo no Brasil, segundo a estratégia traçada por Antonio Gramsci e seguida pela agenda do Foro de São Paulo.

Na república, a "verdade" é confundida com a opinião pública. É o velho ditado romano "vox populi, vox dei" levado às últimas consequências. Acontece que a opinião pública pode ser manipulada (conforme fica claro no vídeo acima). Quem detém o controle sobre a opinião pública, dessa forma, passa a deter o controle sobre a "verdade" e, consequentemente, sobre o rumo da História.

Jovem idiotizada pelo "marxismo cultural" fazendo piada com assunto sério
O antídoto é a monarquia

Em um sistema de governo monárquico, o Imperador representa o poder moderador. Ele é uma figura responsável pela nação e que goza da posição acima dos interesses partidários, das visões imediatistas. Trata-se de uma pessoa que foi educada desde a mais tenra infância para compreender as questões políticas. Portanto, a monarquia é o ÚNICO sistema de governo que pode dispor de ações tomadas efetivamente visando o bem comum e não os interesses individuais egoístas disfarçados de bem comum.


(Esse texto também foi publicado no blog Gazeta Imperial na Rede, confira aqui. Conheça o movimento monárquico brasileiro, clique aqui para ir até a primeira página desse blog)

29 de setembro de 2012

Klip.me - Google Reader to Kindle

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10 de agosto de 2012

A técnica esquerdista da "prestidigitação semântica"

"O Prestidigitador", de Hieronymus Bosch
Toda vez que eu leio algum texto criado por uma mentalidade esquerdista, sempre me deparo com algum tipo de “prestidigitação semântica”. Ou seja, algum tipo de enganação, de imbróglio, de fraude. O “raciocínio” é montado deliberadamente, fazendo uso da má fé, para o receptor a chegar a conclusões falsas. E na maioria das vezes artifício é tão rasteiro, tão barato, que fico me perguntando porque as outras pessoas não o percebem tão claramente quanto eu próprio.

Recentemente a Carta Capital publicou um comentário sobre o massacre que aconteceu há alguns dias em um cinema americano, com o título de “James Holmes, um consumidor”. Muitos dos meus amigos, pessoas que eu consideram inteligentes, incensaram o texto, sem perceberem o truque (se as pessoas se tornassem só um pouquinho mais “semanticamente expertas”, a Carta Capital faliria). O autor construiu assim seu número de “mágica”: em qualquer narrativa ficcional, “sangue” e “sêmen” são os dois ingredientes de popularidade. Sempre foi assim, basta passar os olhos pelas páginas das “1001 Noites”; não poderia ser diferente no cinema. O texto ignora esse dado da ordem da realidade e monta um discurso que afirma haver um complô da parte da indústria armamentista, com o objetivo de monopolizar o espaço cinematográfico como forma de publicidade. Depois ele chama a “indústria cinematográfica” de “a sociedade” e chama a “indústria armamentícia” de “o mercado” e conclui com a pérola: “O atirador do Colorado não fez nada que a sociedade e o mercado não conhecessem e incentivassem.”

Outro episódio recente foi o caso da atleta grega. Voula Papachristou postou em sua conta no Twitter sobre o “Vírus do Oeste do Nilo” (uma doença originária da África transmitida por mosquitos, que este ano matou uma pessoa na Grécia e infectou outras quase 200). Ela escreveu: “Com tantos africanos na Grécia… pelo menos os mosquitos do Vírus do Oeste vão poder comer comida feita em casa”. Foi acusada de “racismo”, pelos partidos de esquerda gregos, que entraram com representação junto ao Comitê Olímpico para impedi-la de participar do evento. O comentário é sem dúvida de mal gosto, mas não fez nenhuma alusão à raça nem à cor da pele de quem quer que seja. A verdade é que foi um comentário xenofóbico, ou seja, de repulsa à presença de povos estrangeiros. Mas a xenofobia não é um comportamento que seja socialmente tão mal visto quanto o racismo. Se a acusação contra a atleta fosse de “xenofobia”, correr-se-ia o risco de que a punição fosse uma advertência, e que ela acabasse participando e, quem sabe, levado uma medalha para a Grécia. O que fazer, então? Basta chamar “xenofobia” de “racismo” e voilà! Está garantida a vitória no caso. Tanto assim que a atleta está impedida de participar do evento em Londres.

Enfim, o mundo se divide entre aqueles que acreditam que “os fins justificam os meios” e aqueles que acreditam que “os meios determinam os fins”. Mas poucos, muito poucos, conseguem perceber quando estão diante de um “meio” desonesto.

Esse texto também foi publicado no Fórum Homens Realistas